arte da rua 201708 (1)

A Arte que Vem da Rua

por Viviane Faver

O grafite constitui-se numa expressão visual e simbólica que pode ou não ter uma dimensão estética, porém, sempre revela o pensamento da cultura urbana, onde retrata o estilo de uma sociedade.

Dezenove artistas brasileiros apresentaram algumas de suas obras no histórico centro Andrew Freedman Home, no Bronx, na exposição Synopsis of an Urban Memoir, que homenageou a arte de rua no Brasil.

Cada um representou através de seu próprio estilo, as diferentes vozes em suas comunidades. No entanto, todos eles destacaram a importância de levar cor e inspiração para espaços públicos.

Os estados do Brasil foram devidamente representados em Nova Iorque por esses talentosos artistas que contam nessa matéria, como foi essa experiência.

arte da rua 201708 (4)

O artista Henrique Belotti teve suas obras inspiradas na cultura nordestina. “É uma gratificação pessoal e profissional mostrar meu trabalho na cidade que foi o berço da street art. Era um sonho que foi concretizado e me encoraja e motiva para seguir em frente.”

Belotti ainda enfatiza que a arte de rua começou a ganhar espaço em galerias e feiras de arte valorizando o artista que antes era tido como vândalo. “O Brasil sempre teve uma cultura muito rica e um povo muito criativo e competente”, completa.

Aproveitando a situação do governo atual, Jûlio Vieira desenvolveu uma série que retrata refugiados que buscam os grandes centros para recomeçar sua história. “Essa série conta um pouco da minha vida, de como meus pais sendo retirantes do nordeste vieram para São Paulo para reconstruir sua família e que conseguiram com muito esforço e perseverança”, explica.

arte da rua 201708 (3)

As peças desta série apresentadas aqui foram dois Sírios, uma Haitiano e um auto retrato, devido a todo cenário político que estamos vivendo e o contexto em que elas estariam expostas.

Vieira completa dizendo quando um ilustrador ou pintor clássico realiza um trabalho em uma parede, há aí uma troca muito rica e importante para a cidade.

Essa troca foi exatamente o que a outra artista, Mag Magrela, contou sobre sua arte. “Expor minha obra é retratar minha realidade e minha cultura para outra cultura.Promover a troca e o conhecimento’”

Ela ainda acrescenta que a arte brasileira está em ebulição. Novas discussões sendo debatidas, sobre o que é arte, o que é grafite ou pichação. E questionando o posicionamento de alguns artistas que pintam nas ruas. “A arte aqui no Brasil é muito ligada a política, pintar na rua é um ato político. Estamos num processo bonito de falar sobre a expressão”, afirma.

arte da rua 201708 (2)

Compartilha da mesma opinião o artista Rodrigo Pecci, que diz que o Brasil sempre esteve ligado a todos os movimentos artísticos, não seria diferente com o grafite. O artista está com passagem marcada para mostrar seu trabalho em New Orleans e com planos de ficar entre lá e Nova Iorque.

A exposição foi produzida por AnnexB, Duetto Arts e Urban Walls Brazil, Synopsis of an Urban Memoir é uma parceria com Andrew Freedman Home e CUFA – Central Única das Favelas. Parte do lucro desta exposição beneficiou os programas e projetos da CUFA nos EUA.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <s> <strike> <strong>