The Voice Brasil

Michel Teló: Destemido coração pantaneiro

Por Marisa Abel

Michel Teló vem para coroar nosso final de 2017 com uma deliciosa entrevista exclusiva que fala sobre sua trajetória no mercado musical, seus novos projetos e suas emoções particulares.

The Voice BrasilSempre com um sorriso escancarado no rosto, voz branda e muito carinho esse cantor, que é fenômeno mundial, recebe a imprensa, fãs e amigos seja para entrevistas, autografos e fotos ou para tocar em shows no Brasil e no mundo afora.

Exemplo de humildade, Michel conquista a todos com seu jeito simples, seu talento nato e a determinação com a qual, a cada dia, dedica para sua carreira. E quem acompanha o sertanejo nas redes socias ainda pode se deliciar com os momentos românticos e amorosos com sua mulher, a linda Thais Fersoza, e seus filhso Melinda e Teodoro.

Tive o prazer de entrevistá-lo pessoalmente em diversos shows pelo Brasil e o mais impressionante é o cuidado e atenção com a qual ele dedica quando você está conversando com ele, parece que o mundo à volta não existe, pois ele é tão focado que faz cada pergunta ser especial.

Mais do que encantador, Michel é um multitalentoso artista que além de ser compositor, é multi-instrumentista, cantor, apresentador, produtor e agora também investiu na atuação, segundo o artista, “tendo música envolvida pode contar com ele”.

Antes da carreira solo, iniciada em 2009, Michel participou do grupo Guri, e posteriormente da banda Tradicão, na qual ficou mais de uma década. Logo no início da carreira solo fez sucesso com “Ei, psiu, beijo me liga” que lhe rendeu a indicação para o prêmio “Melhores do Ano” na categoria “Revelação Musical”, depois disso deslanchou para o sucesso e veio na sequência o sucesso “Fugidinha” e a grande explosão mundial “Ai se eu te pego”, a qual Cristiano Ronaldo e Neymar fizeram performances em campo.

A música explodiu no mundo todo, na Europa virou febre e chegou no primeiro lugar das paradas de sucesso do mundo todo, conquistou o top list da Billboard e por várias semanas foi a número um em diversos países do mundo, dentre eles a Alemanha.

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O single “Humilde Residência”, que é uma delícia de cantar e dançar, também rendeu muito sucesso a Michel e veio pra comprovar que ele é um cantor de muitos sucessos musicais.

Embora tenha nascido na Paraná, Michel mudou-se para o Mato Grosso do Sul e por isso se considera um pantaneiro, e para nós é realmente um artista pantaneiro destemido que embala a vida de muitos de nós com musicas modernas e também com os grandes clássicos do sertanejo. Que tal agora dar uma “fugidinha” com Michel e ingressar um pouco mais sua sua forma de encarar a vida. “Beijo, me liga”.

Em uma entrevista na TV você disse que seu pai lhe presenteou com um acordeon apenas para diversão, mas fato é que essa “diversão” mudou sua vida e fez você o fenômeno que é hoje! Você costuma às vezes parar para analisar a sua trajetória? Como se sente?’

Apesar do presente ter sido apenas por diversão, o meu envolvimento com a música veio desde pequeno. Somos uma família grande, que gosta de se reunir, cantar, fazer festa. Antigamente, o cara que tocava, que era músico, não era bem visto lá no Sul, tinha fama que não gostava de trabalhar. Mas meu pai sempre me incentivou a gostar, a tocar sanfona, a cantar. E com 12 anos eu comecei a tocar baile com um grupo chamado Guri. Era eu e meu irmão. E hoje vejo que isso ajudou a formar o músico que sou hoje. Me sinto muito realizado com o caminho que tracei, com as pessoas com quem trabalhei e conheci e com o rumo da minha carreira.

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Lembro da nossa primeira entrevista em 2008 na Villa Country, e algumas entrevistas posteriores você continuava com a mesma atenção e carinho. Ai veio o sucesso mundial e você  se manteve a mesma pessoa sorridente e carismática de sempre. Todos sabemos que a fama transforma alguns os artistas, mas você continua com a mesma essência. O que você pode nos dizer das experiências que teve antes e depois do sucesso mundial e como isso mudou você interiormente?

Chitãozinho e Xororó tem uma frase que é muito legal e eu levo prá vida: A energia que você vai gastar se tratar bem ou mal uma pessoa é a mesma. Então, é muito melhor tratar bem, né? Eu sempre fui assim, gosto de ser agradável, de cumprimentar as pessoas, de passar uma vibe legal e tratar todo mundo com respeito. A gente sabe que a fama traz muita coisa, boa e ruim, mas o importante é manter sua essência e seguir seus valores.

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Depois que vim morar em NY fiz amigos de todas as nacionalidades e quando falo que sou brasileira vem os tradicionais comentários “Pelé”, “Ronaldo”, “Carnaval” e o recente adicionado é “ai se eu te pego – Michel Teló”, como brasileira sinto orgulho de ver o seu sucesso. Como reage seu coração ao saber que você é mundialmente conhecido e de maneira positiva?

Eu fico muito feliz, claro. Eu vou ser eternamente grato por tudo o que essa música me proporcionou na carreira.

Você fez sucesso muitos anos com o grupo Tradição mas a carreira decolou de vez quando iniciou a carreira solo. Como você avalia estes dois momentos da sua carreira?

Fiquei 12 anos com o Tradição e fazia de tudo na banda. A gente era um grupo de baile e o som foi evoluindo, foi trazendo sonoridades diferentes e eu aprendi demais com eles todos e com a experiência. Mas banda é complicado administrar e contemplar o que cada um quer. E uma hora eu resolvi seguir meu caminho sozinho. Foi um desafio muito grande. É um processo você sair da sua zona de conforto, com um cachê legal. Eu estava bem morando em Campo Grande, tranquilo. Mas eu senti que era a hora. E começar do zero, sozinho, foi muito importante também.Os dois momentos foram e são muito importantes para a minha formação como músico.

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Fazer parte do juri do The Voice também é uma vitrine, pois o público julga não só os candidatos, mas também os jurados. Como você se preparou para o The Voice e do tempo que passou como jurado qual foi a experiência mais enriquecedora?

Participar do The Voice é uma alegria pra mim. Poder estar ao lado de jurados tão competentes, com uma bagagem tão grande e talentos incríveis, é uma honra. Além disso, poder conhecer tantos outros talentos espalhados por esse Brasil é enriquecedor para mim também. Estamos lá para aprender também, sempre!

Falando um pouco do Bem Sertanejo, como foi a criação do programa de seu envolvimento nos bastidores, nas escolhas dos convidados e temas. Conta como funciona o “por trás das câmeras”?

Esse é um projeto que eu sonho há muitos anos. A ideia era criar um documentário para contar a história da música sertaneja, através de entrevistas e música com convidados especiais. Queria mostrar as minhas origens, minhas referências. Tivemos a ideia de apresentar o projeto para a diretoria da Globo e do Fantástico e eles adoraram a ideia. Eu e o Piunti fizemos o roteiro e as pesquisas e o Fernando Hiro dirigiu. Primeiro fizemos um roteiro dos temas que a gente queria abordar e a partir daí definimos com quais artistas deveríamos falar sobre qual assunto. Eu fui falando com cada artista, cada dupla, explicando o projeto e gravando com cada um deles. A ideia era mesmo que fosse um papo informal, contando um pouco da carreira de cada um e tocando muita música sertaneja, no local que cada artista escolhesse. O roteiro foi esboçado no começo, mas as coisas foram acontecendo naturalmente, de acordo com o tema de cada um. A primeira temporada foi um sucesso, tanto que virou um DVD com trechos que não foram exibidos no quadro, ganhou um livro também com histórias de bastidores e curiosidades e este ano fechou o ciclo com o DVD Bem Sertanejo – O Show, que eu gravei em Curitiba. Além disso, tivemos também o musical de mesmo nome, inspirado no quadro, que eu tive o prazer de ser convidado para fazer. Tivemos outras temporadas do programa, já que muitos artistas ficaram de fora da primeira. Foi uma grande alegria gravar com tanta gente talentosa, com tantos ídolos e tantos artistas que levam o nome da música sertaneja.

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Sua família cresceu recentemente, como você lida com a saudade deles?

A correria é grande, mas a gente se ajeita. Quando posso levo todo mundo comigo. Quando não é só organizar a agenda que dá tempo de curtir todos eles também.

Ao longo dos anos você tem feito parcerias maravilhosas e cantando com grandes astros da música sertaneja e de raiz, e o Bem Sertanejo veio para dar ainda mais conexão dos artistas da nova geração com os pioneiros. Quando estes encontros acontecem quais são suas emoções? O que se passa na sua cabeça e no seu coração?

É sempre uma emoção muito grande. Muitos deles são minhas inspirações e foram mesmo os pioneiros. Os mais novos são aqueles que estão levando o nome da música sertaneja em frente. Cada um tem sua importância para o gênero, para manter a música sertaneja forte em todo Brasil. E poder estar ao lado, cantar, trocar ideias com cada um deles é realmente muito emocionante.

Dá pra perceber em sua fisionomia o amor que tem pela música, mas qual é aquela que toda vez que você canta as emoções transbordam em forma de lágrimas?

São muitas. Chalana, do Almir Sater, é muito especial prá mim. Sonhei com Você, do Milionário e José Rico. Chico Mineiro também. Poderia citar muitas.

Bem Sertanejo O Musical é sua atual novidade, como está este trabalho?

O musical já teve sua temporada no começo do ano, fizemos São Paulo, Rio de Janeiro, Ribeirão Preto, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre. Quando o pessoal da Musikeria e da Aventura me convidou para esse projeto eu fiquei muito feliz. Era a realização de um sonho poder levar tudo aquilo que idealizei para o palco. Pra mim foi um desafio fazer um musical. Tem texto para decorar, é um personagem que interpreto, tem coreografia, tem o tempo certo de cada fala, de cada música, não há espaço para improvisos, como em shows. Eu só tenho que agradecer a toda a equipe e ao elenco por todo apoio que me deram

Compositor, cantor, instrumentista, apresentador, jurado, ator… o que mais podemos esperar de Michel Teló?

Todo projeto que envolver música eu estou aberto a ouvir.

Quais as novidades de 2018?

Acabamos de lançar o DVD “Bem Sertanejo – O Show” e começamos a turnê nova em setembro. O ano que vem deve ser dedicado ainda a levar esse novo show por todo o Brasil. E quem sabe vem mais coisa por aí.

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