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Pequenos negócios para grandes mulheres

Empresárias brasileiras fazem parte dos negócios locais de Nova Iorque

Viviane Faver

No mês de Dezembro fez 30 anos que a lei federal HR 5050 – que validou a independência das mulheres como empreendedoras – foi aprovada no Estados Unidos. Também estabeleceu o primeiro programa para mulheres, a rede de Women’s Business Centers (WBC) – o primeiro programa focado nas mulheres no órgão governamental para pequenos empresários na América, The U.S. Small Business Administration (SBA).

pequenos negocios viviane faver 201712 (2)Entre as mulheres que foram beneficiadas com essa lei estão artistas brasileiras, idealizadoras de seu próprio negócio com coragem de enfrentar o mundo. Extremamente capacitadas e cheias de criatividade elas enriquecem Nova Iorque com suas idéias e fazem parte do roteiro turístico da cidade com pontos de venda no Soho e no circuito alternativo de artes no Brooklyn.

Há 23 anos atrás a ex estilista no segmento de couro, cinto e sapatos da marca Cantão, Cristina Duarte, decidiu largar tudo e começar sua carreira como joalheira artesã em NY. Este ano faz 7 anos que ela abriu sua loja, Studio DuArte, no East Village e um ano do seu segundo ponto no mercado, Artist & Flea, no Soho.

Cristina tentou abrir um pequeno negócio no Brasil, porém desistiu devido à burocracia e à quantidade de dinheiro que o governo pedia para ser investido. “Já em NY gastei dois minutos para registrar o nome do meu negócio, autentificar e carimbar. Paguei $100 dólares e em menos de duas horas abri minha empresa. Aqui eles incentivam e facilitam o pequeno empresário, ao contrário do Brasil que cobra uma burocracia desnecessária. Porque atrapalhar uma pessoa que quer abrir um negócio e movimentar a economia da cidade?”, questiona.

pequenos negocios viviane faver 201712 (3)Entretanto ela destaca que aqui, nos Estados Unidos, o maior obstáculo é a própria determinação para vencer a competição com gente do mundo inteiro e culturas diferentes. Para manter o crescimento da marca ela sempre participa de feiras para promover marketing, que ajuda bastante nas vendas online. “Na loja e no mercado no Soho meus clientes são americanos e alguns brasileiros residentes e turistas. Porém para vendas online quase todos os clientes são europeus da França, Alemanha e Itália”.

A mineira Marcela Andrade se mudou para Nova Iorque em agosto de 1986 para estudar piano jazz na Manhattan School of Music. Hoje ela é presidente de uma organização sem fins lucrativos que chama-se Sewing The Roses e uma grife de roupas e acessórios Marcela Carvalho no Soho. Também é artista plástica e professora no Flushing Town Hall, com um contrato exclusivo com a Biblioteca de Nova York George Bruce onde dá aulas de pintura em vidro reciclado para adultos.

No dia 8 de março desde ano, uma de suas obras de arte representou o Brasil em Bangkok. O embaixador do Brasil na Tailândia Gilberto F. G. de Moura, oficialmente a recebeu em sua casa para um almoço celebrando o trabalho de Marcela no evento La Femme no River City Bangkok.

Assim como Cristina, ela tentou abrir um negócio no Brasil, porém desistiu devido à dificuldade que o governo brasileiro coloca para o pequeno empresário. “Aqui há vários cursos e workshops gratuitos e agências preparadas para ajudar você no processo, incluindo advogados para perguntas e conselhos. Os bancos tem ofertas de empréstimos acessíveis. Acho muito fácil e rápido para um empresário começar seu negócio aqui. No Brasil há uma burocracia que dificulta este processo tornando-se lento e desanimando o empreendedor”, relata.

Marcela, que trabalhou nos anos 90 com as top models da época como Linda Evangelista, Cindy Crawford, Carla Bruni, Naomi Campbell e designers como Donna Karan, Calvin Klein, Carolina Herrera nos bastidores dos fashion, mostra hoje sua criatividade na roupas que vende – todas pintadas por ela à mão.

“As expectativas para esse ano é fechar com um crescimento de 80% em relação ao ano de 2016. Expandir um pouco mais o nome da grife solidificando a assinatura dos meus produtos. Quem sabe uma representação no Brasil?”, anima-se.

Indo em direção ao circuito das artes no Brooklyn encontramos Larissa Ferreira, fundadora e diretora executiva da AnnexB, a primeira organização baseada em Nova York a oferecer um programa de residência artística exclusivamente para artistas brasileiros. E também embaixadora do The55Project, um projeto com componentes sociais e educacionais que desenvolve atividades culturais em Miami, Nova York e São Paulo.

Formada em Administração de Empresas, trabalhou por 10 anos em diferentes empresas e setores no Brasil, incluindo mercado financeiro e varejo. Quando se mudou para NY e 2015 para fazer um mestrado em Arts Administration teve a oportunidade de trabalhar durante uma exposição de uma artista brasileira. “Esta experiência de trabalho me fez mudar o foco da minha carreira e decidi encontrar formas de impulsionar o reconhecimento internacional dos artistas brasileiros, que, por sua vez, promoveriam a cultura brasileira no exterior”, explica.

Ela completou recentemente o primeiro ano de programação da AnnexB e conta que empreender é um desafio constante, demanda energia, persistência e visão. Até este mês foram produzidos o trabalho de 34 artistas brasileiros em Nova York, com 8 deles participantes do programa de residência. Os projetos de arte incluem: 18 murais, 5 exposições, 2 performances, 2 oficinas, 2 lançamentos de livros, bem como inúmeras visitas ao ateliê.

“Desses 34 artistas 18 são mulheres, com 7 delas (no total de 8 artistas) participantes do programa de residência. Toda nossa equipe é formada por mulheres e grandes parceiros que tivemos até então, também são mulheres. Essa união sem dúvida nos fortalece”, ressalta Larissa.

Em relação ao processo de abertura do seu ateliê, Larissa conta que o processo burocrático para abrir seu negócio em Nova Iorque a surpreendeu positivamente, assim como os incentivos para startups. “ Em Nova York, existem diversos incentivos à arte e cultura. Na minha opinião, o grande diferencial para as organizações de artes sem fins lucrativos nos Estados Unidos é a cultura de doações individuais e incentivos fiscais do país.”

A primeira temporada da AnnexB, 2016-2017, concentrou-se em artistas cujas práticas envolvem a arte urbana. “Em 2018, nosso programa de residência se concentrará na prática social, portanto, aberto a artistas brasileiros trabalhando em todas as formas de arte social, como ativismo, preocupações ambientais e climáticas, questões de raça e gênero, imigração, comunidade e engajamento público. Inclusive, vamos divulgar em breve o nosso Open Call para 2018. Nosso objetivo para o próximo ano é solidificar nosso programa de residência e se tornar um satélite: um anexo, para arte brasileira em Nova York.

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