Ludimilla da Silva presa

Caso Ludimilla da Silva: Entrevista com o advogado Thomas Griffin

Alô Você Magazine esteve no escritório do advogado  Thomas Griffin em Center City, Philadelphia e teve a oportunidade de saber um pouco sobre o seu trabalho.  Thomas Griffin é  advogado, especializado em imigração há 16 anos. Ele vem cuidando de centenas de pessoas em diferentes casos durante todos esses anos e agora ele está cuidando de um específico caso de uma brasileira. Ludimilla da Silva de 24 anos, morou aqui nos Estados Unidos praticamente a sua vida inteira e está ameaçada de deportação.

Confira aqui o nosso bate papo com Thomas Griffin e saiba mais detalhes sobre o caso da Ludimilla.

AVM: Dr. Thomas Griffin, por favor nos conte um pouco sobre o caso da Ludimilla.
TG: O nome da minha cliente é  Ludimilla da Silva. Ela mora nos Estados Unidos desde dois anos de idade, quando sua Mãe a trouxe com o visto de turista juntamente com seus irmãos mais velhos, duas irmãs e um irmão, e por fim,  acabaram ficando por aqui. Ela fala inglês perfeitamente, totalmente integrada na comunidade e foi à escola aqui nos Estados Unidos. Ela foi vítima de um crime sexual enquanto estava no ensino médio que a traumatizou profundamente. Acredito que ela tinha uns 15 anos quando foi atacada. Mais tarde, ela se apaixonou por um homem com quem teve um bebê, porém ele era extremamente violento com ela. Ela por fim, conheceu outra pessoa, um soldado; eles viviam juntos na base militar em Fort Knox e juntos, tiveram um filho. Ele teve muitos casos fora do casamento e ela se encontrava presa nesta situação com duas crianças.  Ele nunca a ajudou com a documentação do Green Card dela, apesar dele ter prometido ajudá-la com isso, um processo aliás que é bem simples.

AVM: O processo para o Green Card é um processo fácil?
TG: No caso dela, o fato é que ela já poderia ter a documentação para ser cidadã. Mas claro, o marido nunca se preocupou com isso.  Ele focalizava seu dinheiro em outras coisas, como vídeo games, na montagem de suas motos e com suas amantes, levando ela a cuidar de duas meninas sozinha. Quando ele voltou do Afeganistão, ela o confrontou juntamente com a amante, que era soldada.  A Ludimilla ficou muito brava enquanto via a sua vida desmoronar. Sem Green Card, com duas filhas para criar sozinha, tentando ter a família que ela nunca teve, morando  em um lugar distante e desmoronando emocionalmente… Ela explodiu e socou a amante do marido no nariz. Um simples soco no rosto gerou um processo. Por ela estar em uma base militar, e sabendo que foi em uma soldada, acredito que isso deixou o juiz muito chateado, pois a mandou para prisão por 18 meses. Ela entregou suas filhas para uma de suas irmãs que mora aqui na Philadelphia. Cumpriu sua pena aqui no Centro Federal de Detenção da Philadelphia. A Ludmilla solicitou o visto VAWA, para mulheres que sofrem violência. Mulheres nesta situação podem dar entrada no visto por elas próprias. Ela solicitou esse visto, porém foi negado porque a imigração alegou que, ela por ter agredido outra pessoa, não tinha bom carácter moral. É muito técnico, mas  um dos elementos para conseguir o Green Card com base no “Ato de Violência Contra a Mulher” é que a mulher deve comprovar um bom carácter moral.

AVM: A Ludimilla corre então perigo de deportação?
TG: Sim. Mas sempre que há uma deportação, o governo dos EUA deve primeiro pedir permissão ao país receptor para a  pessoa voltar, neste caso o Brasil. O país receptor fará uma revisão e verá se a pessoa realmente é, por exemplo, brasileira e se ela tem o direito de morar lá. Mas o Brasil também pode recusar por razões humanitárias. Ludimilla é um caso onde as suas filhas estão aqui, foi  um soldado americano que causou este problema. O Brasil  pode alegar que não vai permitir a separação de uma família brasileira e deixar essas duas garotas sozinhas. Então, esse é o poder que a comunidade brasileira ou o consulado brasileiro possuem.  Quem está lendo esta entrevista pode entrar em contato com o consulado brasileiro em Nova York e apenas dizer que sua posição é que o governo brasileiro não deve emitir esses documentos de viagem, porque  irá separar uma família, vitimizando novamente uma mulher que já foi vítima de tantos homens em sua vida e deste sistema de imigração. Isso seria de grande ajuda.

Para a entrevista completa com o advogado Griffin e mais detalhes sobre o caso da Ludimilla da Silva, visite o canal de Youtube da Alô Você Magazine.

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