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Entrevista com Mila Burns

Confira o nosso bate papo com a jornalista e apresentadora do programa semanal” Globo Notícia Américas”, da TV Globo Internacional.

O ‘Globo Notícia Américas’ já está há seis anos no ar.  O que mudou ao longo desse tempo e o que permanece o mesmo?

Nossa, mudou muita coisa. O noticiário começou como uma resposta à demanda da comunidade, e nós o colocamos no ar com essa ideia, de fazer um jornal local para atender os brasileiros que vivem fora do Brasil. Assim, o ‘Globo Notícia Américas’ foi o primeiro telejornal voltado para a comunidade brasileira no exterior. E fomos testando. No principio, o jornal era mais curto e contava apenas com a colaboração dos correspondentes da Globo em Nova York. Hoje temos 12 colaboradores, que estão no Canadá, Chile, Inglaterra e em vários estados dos EUA. Também contamos com um colaborador especialista em saúde e temos uma parceria com a ONU News, que semanalmente nos traz informações direto da sede da organização em Nova York. Tenho orgulho do jornal desde o primeiro dia em que ele foi ao ar e dessa vocação do noticiário de prestar serviço e de estar na casa do espectador desde o seu primeiro momento. E hoje o orgulho vai além, tenho um aprendizado ainda maior com o jornal pelo fato de ter essa interação com tantos profissionais incríveis e que agora fazem parte do ‘Globo Notícia Américas’.

2) Quais são os assuntos que não ficam de fora do programa, desde o início do jornal até os dias de hoje?

Imigração é um assunto superimportante e que abordamos praticamente toda semana. São questões que tratam não só de políticas imigratórias, mas também de serviços para pessoas estrangeiras, e principalmente brasileiros, que vivem nesses países das Américas.  Isso inclui, por exemplo, desde questões como o que o governo Trump vai fazer em relação ao DACA, quanto como tirar um passaporte ou participar de eleições no Brasil e nos países onde o nosso público vive.  Política e economia também são dois assuntos que tocamos muito, até mesmo por uma demanda do nosso público. Saúde também acaba entrando em pauta toda semana no jornal, já que é diferente a preocupação com saúde para quem vive fora. E por fim, cultura, que sempre incluímos. Não apenas para mostrarmos o sucesso dos brasileiros no mundo, mas também para mantermos a proximidade com o Brasil, mesmo estando longe.

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3)  Como você mencionou, este ano o noticiário ganhou colaboradores em diferentes cidades dos EUA e do mundo. Esse intuito de dar mais destaque a notícias da comunidade foi uma demanda que você percebeu do público?

Desde o início, essa foi uma vontade nossa, de ter colaboradores espalhados por vários lugares. Começamos com um colaborador, que foi o Marzio Lorenzo, no Canadá. E, com o tempo, essa rede foi crescendo e só tende a aumentar. O nosso intuito foi, na verdade, de estar ainda mais perto da comunidade.  Porque se você parar pra pensar em Américas, a nossa área de cobertura é muito grande, mesmo que a maior parte do nosso público esteja nos Estados Unidos. Os colaboradores vêm ressaltar essa parte que é tão especial no noticiário:  quais são os acontecimentos e os assuntos locais que interessam e impactam os brasileiros que vivem aqui. A Maressa Souza, por exemplo, fez uma pauta recentemente que conta a história de uma brasileira que vive em Massachusetts, e que através das redes sociais encontrou uma doadora brasileira para um transplante de rim.

4) As “fake news” seguem ganhando força. Na sua opinião, como lidar com esse tipo de “notícia” e como identificá-las?

Talvez esse seja o nosso grande desafio hoje. Nunca tivemos acesso a tanta notícia e tanta capacidade de escolha, de onde consumimos as notícias. No entanto, nunca tivemos tanta dificuldade em entender o que é confiável e o que não é. No próximo semestre, eu vou dar uma aula na faculdade que se chama “Latino Media in the Trump Era” onde eu pretendo incluir o debate importante do que aqui nos EUA se chama “news literacy”, que é literalmente entender o que é falso e o que não é. Essa talvez seja a melhor maneira de empoderar as pessoas hoje, para que elas possam discernir o que é real e o que não é nesse mundo gigantesco de informação que as redes sociais e a internet nos dão. Muita gente chegou a pensar que a grande mídia iria se enfraquecer com o surgimento das redes sociais e todas essas alternativas de informação, mas acho que o que está acontecendo hoje é o oposto. Os grandes veículos de comunicação estão ganhando força, pois nesse universo de mentira, as pessoas precisam de fontes confiáveis. É um processo longo, mas o primeiro passo é o entendimento sobre o que é fake news e também de aprender a ler as entrelinhas e questionar.

5) O que você espera para 2018?

O ano de 2017 foi o primeiro ano do governo Trump e é difícil medir resultados logo nesse início. Foi um período de muitas mudanças e 2018 será um ano em que a gente vai sentir as consequências dessas mudanças na pele, no nosso dia-a-dia. Eu também espero que no ano que se inicia a gente veja uma mudança de paradigma mesmo em relação à questão de gênero. Acho que o debate atual sobre o que é certo ou errado vai estar mais superado e acredito que ficará mais claro para os homens que ainda não entenderam, sobre o que essa discussão significa, e que é o respeito pelo espaço da mulher na sociedade, a sua presença e sua individualidade.   Além de tudo isso, será também um ano de eleições nos Estados Unidos e no Brasil.

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