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Exportação de cachaça para os EUA cresce 23% no último ano

Exportação de cachaça para os EUA cresce 23% no último ano

 

Viviane Faver

 

        A cachaça é a única bebida no mundo a dispor de um repertório variado de madeiras para o envelhecimento, permitindo uma rica experiência cultural e sensorial.  De 2016 para 2017, a exportação de cachaça cresceu em torno de 13%, alcançando U$D 15 milhões de dólares. No igual período, a exportação da cachaça do estado do Rio de Janeiro para os Estados Unidos cresceu 23% em valores monetários e aproximadamente o mesmo valor percentual em volumes, segundo a vice presidente da Associação dos Produtores de Cachaça do estado do Rio de Janeiro (APACERJ), Katia Espírito Santo.

Vice presidente da Associação dos Produtores de Cachaça do estado do Rio de Janeiro (APACERJ), Katia Espírito Santo.

Vice presidente da Associação dos Produtores de Cachaça do estado do Rio de Janeiro (APACERJ), Katia Espírito Santo.

         Na opinião do  jornalista e editor do site Devotos da Cachaça e membro da Cúpula da Cachaça, Dirley Fernandes, dos quatro maiores mercados de destilados – China, Índia, URSS e EUA, os Estados Unidos são os mais próximos, em vários sentidos. “E a premiunização, que é e seguirá sendo um trend do mercado de destilados favorece a cachaça, que tem produtos de altíssimo nível.”

                          Dirley Fernandes alerta que os cuidados para investir em solo americano começa pela escolha do distribuidor. Porém, ele diz que um dos maiores  maior erro das histórias de exportadores de cachaça brasileiros é deixar a promoção do produto na mão do distribuidor. “O setor de cachaça é pouco desenvolvido no que se refere a marketing e promoção. Reserva muito pouco do investimento que planeja nessa área.”

                         Os conceitos que são mais valorizados atualmente são autenticidade, modelos de produção sustentáveis, alimentos naturais (sem aditivos químicos).  “Esses drives só precisam ser trabalhados de forma profissional. Isso ainda não vem sendo explorado de forma satisfatória. Existe um esforço de tornar a cachaça “igual” a outros destilados por parte de alguns produtores, o que se reflete em garrafas que emulam conhaques, por exemplo. Melhorar a embalagem é necessário, mas dá para ser mais criativo que isso e  trabalhar identidade própria”, finaliza o especialista, completando que a cachaça só precisa ser dignamente apresentada; o resto do trabalho ela faz sozinha, porque é o melhor e mais variado destilado do planeta.

Jornalista e editor do site Devotos da Cachaça e membro da Cúpula da Cachaça, Dirley Fernandes

Jornalista e editor do site Devotos da Cachaça e membro da Cúpula da Cachaça, Dirley Fernandes

Sua paixão pela cachaça começou como consumidor. Logo em seguida fez um filme chamado Devotos da Cachaça, que fala da presença marcante da cachaça na cultura brasileira.

    Isso, concomitantemente com sua atividade de jornalista, levou  à criação do site, já que não havia um espaço para notícias exclusivo para o mundo da cachaça. O Devotos da Cachaça é fruto do próprio avanço do setor e, assim como ele, ainda tem muito caminho pela frente.

      Exemplo disso é a Cachaça Avuá, produzida em Carmo, estado do Rio de Janeiro, que iniciou sua exportação para América do Norte em 2013. Os sócio da marca, Nate Whitehouse, conta que no começo foi difícil, mas que contou com vários momentos de sorte, como um encontro casual com Sasha Petraske -um dos bartender mais influentes do mundo e dono do legendário bar em Nova Iorque Milk & Honey – que apoiou a  marca e causou uma mudança de percepção na cachaça.

         “No entanto, ainda há muito a ser feito para educar os consumidores americanos sobre qual qualidade é a cachaça e porque é interessante. A comunidade de cafés de comidas orgânicas já começou a vê-lo como uma ferramenta que eles precisam nos seus bares e ao desenvolver coquetéis inovadores principalmente em NY, Chicago e Miami”, explica.

 

Uma das pioneiras para exportação para EUA

          Atuando há mais de 30 anos no mercado de exportação nos EUA, Vicente Bastos Ribeiro, sócio proprietário da destilaria “Cachaças da Fazenda Soledade” responsável por marcas como Nega Fulô, Moleca e Século XVI,  em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, iniciou a exportação para diversas cidades americanas em 1986.

     Ele conta que nos últimos últimos cinco anos obteve um crescimento anual de cerca de 50% nas exportação para terra do Tio Sam.  “O mercado americano de destilados é em valor o maior do mundo. Fazer alianças com importadores e distribuidores americanos e também entre cachaças independentes de empresas brasileiras de pequeno e médio porte vão ser desafios que em grande medida determinarão o sucesso de projetos específicos de exportação de cachaça para os EUA”, declara Vicente Ribeiro.

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