Dr Gustavo Silveira e Silva

Entrevista: Medicina em Harvard

O médico brasileiro, Dr. Gustavo Silveira e Silva conta tudo sobre sua nova jornada em solo americano

Por Carol Contri

Conversamos com o Dr. Gustavo Silveira e Silva, médico brasileiro, graduado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Ele, que aterrissou nos Estados Unidos em junho de 2014 para uma o início de uma residência médica na Drexel University, começará uma subespecialização em neurologia no Hospital Beth Israel. Com muitas expectativas que buscam ampliar sua vivência acadêmica e proporcionar melhor no setor de saúde, Dr. Gustavo contou como surgiu essa oportunidade e o que busca nessa nova etapa da vida profissional.

Alô Você Magazine: Quando soube da vaga disponível em Harvard?

Dr. Gustavo: É difícil delinear “quando”. À semelhança do que ocorre no Brasil, ao longo da formação médica conhecemos as diferentes áreas de atuação e os hospitais com os melhores programas de treinamento. Dessa forma, vamos aos poucos direcionando nossa formação para nossa área de interesse, e nesse processo vamos pesquisando nas universidades as vagas existentes e requerimentos para a candidatura dessas vagas.

AVM: Como conseguiu se candidatar a vaga?

Dr. Gustavo: Tanto a seleção para residência médica quanto a seleção para o fellowship (que é a continuação da residência, na qual se escolhe uma subespecialidade) são feitas através de um sistema no qual todos os graduados em medicina (americanos e estrangeiros) competem de forma centralizada, à semelhança do que ocorre com os concursos no Brasil. O processo se inicia com o envio, por parte do candidato, dos documentos necessários que incluem as notas nos exames nacionais, currículo e cartas de recomendação.

AVM: A seleção foi feita de que forma?

Os hospitais analisam os documentos que recebem escolhem os melhores convidados para a segunda fase do processo que é a entrevista. Depois das entrevistas eles fazem uma lista, tipo um “ranking” de seus candidatos preferidos. Os candidatos selecionados, então, obtêm a sua vaga de interesse.

AVM: Quais foram as etapas seguidas para trabalhar legalmente nos EUA?

Dr. Gustavo: O processo é longo e minucioso para os estrangeiros, porém justo. O primeiro passo é obter a certificação nacional do seu treinamento no exterior. Após comprovar sua formação em seu país de origem, obtém-se a licença para fazer os “Steps”, que são os exames nacionais que os graduandos americanos realizam durante a faculdade de medicina. Os “Steps” compõem-se de quatro diferentes provas, cujas notas serão usadas pelas universidades para selecionar seus residentes. O candidato escolhe os programas que gostaria de tentar a vaga para residente e envia suas notas, curriculum e cartas de recomendação. Dessa mesma forma, os programas de subespecialidade convidam os melhores candidatos para entrevista e depois concluem suas escolhas. Ao ser aceito por alguma universidade, o médico estrangeiro recebe então um visto especifico para médicos residentes juntamente com a licença médica para trabalhar nos EUA, equivalente aos candidatos americanos.

AVM: Quais as expectativas em relação a esse trabalho?

Dr. Gustavo: A maior expectativa é a de fazer parte dessa instituição que hoje é a mais respeitada do mundo, e contribuir de certa forma com o conhecimento que lá é produzido. Apesar de no Brasil termos centros universitários de excelência, os investimentos em tecnologia e pesquisa vem consideravelmente diminuindo ao longo dos anos e, infelizmente, grande parte dos diplomados e pesquisadores brasileiros atualmente se deslocam aos países de primeiro mundo para continuar fazendo ciência e contribuindo com o Brasil.

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