Segundo Sol

A vida é feita de segundos sóis!

Bahia, a terra da diversidade cultural, do sincretismo, das belezas naturais, da culinária de tempero forte e do famoso carnaval. Nesse lugar fascinante, de cores intensas, onde o sol brilha quase todo o ano, a novela ‘Segundo Sol’ mostra que a cada novo dia você pode recomeçar, se reinventar, tornando-se o protagonista de sua própria caminhada.  Na trama, Luzia (Giovanna Antonelli) vive uma grande saga em busca de sua nova chance, de seu segundo sol. Mulher simples e batalhadora, ela tem a vida virada do avesso após se apaixonar por Beto Falcão (Emilio Dantas). No decorrer da narrativa, Luzia percorre uma longa jornada para reescrever sua história e reunir a família, despedaçada por uma série de armações de Karola (Deborah Secco), namorada de Beto, e Laureta (Adriana Esteves), figura poderosa da cena noturna de Salvador. “A novela é um drama familiar, a luta dessa mulher para recompor sua família e sua vida. A grande força dessa história são os laços familiares e a chance que todos nós merecemos de começar de novo”, pontua o autor João Emanuel Carneiro.

Segue abaixo o nosso bate-papo com o ator Emilio Dantas.

– Como se desenrola a história de Beto, no início da novela?

O início da novela é em 1999, e Beto fez sucesso na sua carreira em 94 – é mais ou menos essa a conta. Então, em 99, ele já está no início da derrocada. O trio eléctrico dele já não rende tanto, já não tem muita gente ali em baixo cantando, a qualidade do som já não é mais a mesma. Então ele está meio irritado, porque não percebe para onde está indo a arte que produz. Está a recordar os sonhos que tinha antes de ficar famoso e nutre essa vontade de viver numa praia, pescar, viver a vida do jeito que ele achava que seria o ideal quando começou a trabalhar. Ele é agenciado pelo Remy (Vladimir Brichta), seu irmão, um cara que não é muito seguro e de confiança. Tem também essa relação desgastada com a Karola (Deborah Secco), em que ele já está dando ultimato de “Ou vem comigo curtir essa vida ou então acabou”. E Beto também batalha com os pais para conseguir pagar a casa e o bar da família também.

Segundo Sol

– Qual a sua relação com a música?

Eu tive banda também. Comecei assim em 98, perto de onde estamos a contar essa história. Comecei a minha banda de garagem também cheio de vontade, com todos os sonhos de viver da música. Não é à toa que fiz 13 tatuagens nessa época. Em 90 e pouco foi quando surgiu o Mp3 e o Napster, deixando o caminho nebuloso para quem queria fazer música nessa nova realidade. Eu lembro desse desespero, de não saber para onde enviar a fita gravada. Então fui para esse lugar juntando sonho. O meu era conseguir muita grana, viver da música e poder me sustentar disso, e ter uma vidinha tranquila também.

– Como foi a preparação para o sotaque baiano?

Na questão do sotaque, tive de focar muito na preparação, porque a Bahia é um universo muito isolado culturalmente. Acho que todo o Norte/Nordeste acaba por ser curador da nossa cultura. Nós do Sudeste trabalhamos muito, consumimos muita cultura, mas a gente não tem o mesmo cuidado, a mesma responsabilidade que o norte/nordeste traz. Então é um papo muito sério abordar este assunto. Por isso, tive muita preparação, apesar de termos muitos amigos tanto no elenco como na equipe que são baianos. Tivemos ralação sim.

– Que reviravolta acontece na vida de Beto Falcão?

Ele fez um grande sucesso no passado, com “Axá Perô”. Em 99, começa a pegar trabalhos que já não dava mais para pegar porque não valiam a pena. Então, ele vai fazer um show para levantar uma grana num baile de debutante, e aí acaba perdendo o avião. O Beto volta para casa derrotado. Ele dorme, e, quando acorda, percebe que está acontecendo uma comoção nacional, que afinal foi dado como morto porque o avião onde supostamente viajava caiu no mar e ninguém sabe do cara. Aí a música começa a explodir de novo e Remy, que é irmão dele, mas um cara não tão certo assim, começa a usar isso a favor da grana. Começa a vender músicas inéditas do Beto Falcão, a fechar direitos autorais para filme, publicidade… e o Beto tem a chance de viver aquilo que ele queria, no anonimato.

Segundo Sol

– Como é a relação de Beto com a Luzia (Giovanna Antonelli)?

Eu acho que Luzia traz para ele muita coisa. Primeiro, porque ela não o reconheceu. Então é uma chance de recomeçar. E segundo, porque ela gosta de música, tem amor pela música e não tem vontade de sair daquela vida simples, trazendo de volta para ele tudo aquilo que o Beto sonhou no início. Ele se encanta por aquela figura, que tem ainda dois filhos incríveis e um marido que sumiu. É uma nova chance dentro daquilo que ele sonhou.

– A vida de Beto é feita de segundos sóis?

Em 99, ele tenta trazer de volta um sucesso de 94, um recomeço. Depois, ele sofre esse acidente e tem a chance de recomeçar a vida do jeito que queria – um recomeço. Luzia vai embora e ele acaba sofrendo esse acidente. Entra em coma e, quando acorda, novo recomeço, com fisioterapia para poder se movimentar de novo, para se tornar saudável de novo. Ele aceita que Luzia foi presa, que fugiu e que nunca mais vai vê-la. São muitos recomeços.

– Você se identifica com a música baiana?

Quando eu era moleque, era mais do rock n’rol e o pessoal era mais axé. Tínhamos essas batalhinhas. Eu lembro que implicava com o axé falando “Como é que pode um show que você paga e que ele fica fugindo de você? Não tinha lógica nenhuma”. Mas depois eu entendi a lógica da coisa, e aí, convivendo com a galera baiana e com pessoas como o Saulo, eu fiquei na vontade agora. Pena que vou gravar num trio falido (risos).

– Quais as suas referências musicais para criar a personagem?

Eu crio referências musicais dentro da personagem e crio referências para mim, para trazer coisas minhas que muitas vezes não têm nada a ver com o axé ou com o trabalho que está rolando. Por exemplo, o Rubinho era um cara do morro e eu escutava rock de 90, que era o grunge. No Beach Boys, por exemplo, tem coisas que não têm lógica ali, mas que tem lógica para mim. Nesse personagem, ainda estou montando a playlist, mas para mim Ivete e Gil são duas forças que eu quero brincar ali, de puxar alguma coisinha deles.

– Como está sendo trabalhar com a Deborah Secco e com a Giovanna Antonelli?

Eu não tinha trabalhado nem com a Deborah, nem com a Giovanna, e está sendo muito legal. São duas vertentes muito diferentes e muito gostosas de se brincar. A Deborah é pau para toda a obra: o que você propor, ela entra, ela brinca e curte a viagem. A Giovanna já é mais cabeça, gosta de desenhar a cena, sentar e ajustar as arestas. São dois métodos muito bacanas com os quais gosto muito de trabalhar. Está sendo incrível.

– O que está achando da Bahia e da sua cultura?

É um lugar que ferve cultura e eles levam isso a sério. A gente teve aula de dança aqui com Zebrinha, e nenhuma dança é à toa. Um movimento representa sempre alguma coisa dentro da cultura, de tudo o que foi delgado ali na Bahia. Eu ainda estou indo para Salvador. A gente estava no sul da Bahia, uma vida mais mansa e serena, mas agora vamos ver como é que é esse ritmo do Salvador, inclusive no carnaval.

– O que o público pode esperar de “Segundo Sol”?

Eu acho que o público vai ter muita emoção. Para mim, o grande lance dessa novela é que o protagonismo é da família quebrada. Não sou eu, nem Giovanna, enfim. Acho que nunca vi uma novela tratar desse assunto e a história em conjunto ganha muito mais do que o protagonista. E essa novela está muito integrada, o elenco está muito unido. É uma novela colorida, leve, e, com tudo isto que a gente está vivendo, é importante levar esse respiro. E, é claro, João Emanuel, porque casa pescada é um gancho. Então vai ser divertido, vai ser emocionante. Têm que ver.

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