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Síndrome de Down x Dança

A Dança associada à Educação Física pode proporcionar experiências favoráveis ao desenvolvimento de crianças portadoras da Síndrome de Down

Causada pela presença de três cromossomos 21 em todas ou na maior parte das células de um indivíduo, a síndrome de Down já foi um grande tabu, mas hoje já sabemos que as pessoas portadoras da síndrome podem alcançar um bom desenvolvimento de suas capacidades pessoais e crescer com bons níveis de realização e autonomia, se tudo isso for desenvolvido desde a infância. Eles são capazes de sentir, amar, aprender, se divertir e trabalhar. Para ajudar no seu desenvolvimento, a dança é uma ótima aliada. Confira esse bate-papo com Sabrina de Souza*.

Alô Você Magazine: Os professores de dança têm que ter algum cuidado especial para ministrar as aulas?
Sabrina de Souza: Sim, os portadores de Síndrome de Down têm a IAA (Instabilidade Atlanto Axial), ou seja, excessiva mobilidade entre as duas primeiras vértebras cervicais. Por tanto, é muito importante o professor de dança ter esse conhecimento, portadores de síndrome de Down não podem fazer movimentos com impacto na região cervical, rolamentos e cambalhotes, qualquer um desses movimentos pode até mesmo ser fatal.

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A.V.M.: Quais são os benefícios da Dança para os portadores de Síndrome de Down?
S.S.: Além de todos os benefícios que a dança trás para todos os indivíduos (enrijecimento da massa muscular, melhora dos sistemas circulatório e respiratório, socialização, aumento da autoestima), para os portadores de Síndrome de Down existem dois que chamam muito atenção para a melhoria da vida deles:
1- Consciência corporal, as crianças com síndrome de Down têm muita dificuldade de nomear e conhecer seu próprio corpo e articulação, com os movimentos da dança auxilia e muito para essa descoberta e aprendizagem.
2- Reabilitação e reeducação dos gestos, esses são beneficiados de uma forma lúdica que o movimento e a música proporcionam.

A.V.M.: Qual é o melhor ritmo para quem é portador de Síndrome de Down?
S.S.: O melhor ritmo é aquele em que a pessoa gostar e se sentir melhor dançando. O importante é fazer! A dança além de uma arte, é uma atividade física bem completa e diminui fatores de risco de doenças cardiovasculares, distúrbios do aparelho locomotor, depressão e ansiedade, condições estas que muitas vezes afetam os portadores de Síndrome de Down. Fazendo a dança também terá os benefícios terapêuticos que ela trás, exercício para as memórias, já que na dança temos que decorar sequências e coreografias. A dança ajuda o indivíduo a se tornar independente e ativo perante a sociedade, ajuda a enfrentar barreiras e eliminar os preconceitos.

A.V.M.: Uma pessoa com Síndrome de Down pode fazer ballet?
S.S.: Pode, desde que o professor conheça e respeite as limitações da síndrome. Temos um exemplo lindo, a bailarina Amanda Lima, aos 18 anos conseguiu usar a sapatilha de ponta (um sonho para toda bailarina) após 14 anosde aulas de ballet clássico. Com essa conquista Amanda se tornou a primeira bailarina com síndrome de Down a usar sapatilhas de ponta. A arte do ballet clássico é para todos, basta iniciar seus estudos. Seja para ter os benefícios que a arte promove ou para se profissionalizar, não deixe para amanhã.

*Sabrina de Souza é bailarina, professora especialista em dança.

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