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Maytê Piragibe: Prazer em se Reinventar

Maytê Piragibe é daquelas mulheres multifacetadas, que se encontra em diferentes lugares, plataformas e palcos.

Você já deve ter visto Maytê Piragibe nas telinhas, atuando em novelas, ou até mesmo, como apresentadora infantil. A atriz, apresentadora e empresária é exemplo de que quem tem talento vai bem em qualquer lugar. À frente do Canal Like, ela se divide entre preparação de muito conteúdo bom, entrevistas com muita gente legal e com sua empresa, a “Essência de Bocaina”. Para falar mais sobre essa carreira cheia de coisa boa, nada melhor do que um bate-papo descontraído com ela. Confira!

Alô Você Magazine: Você já passou por vários formatos de trabalho na televisão. Qual deles é o que mais te toca?
Maytê Piragibe: Olha, engraçado, né? A forma como a gente se expressa é sempre muito múltipla, é única, por isso é difícil comparar. Todas têm suas peculiaridades e suas singularidades, mas eu acredito que série, formato de série, dentro de uma televisão é muito instigante por ter uma dramaturgia um pouco mais profunda, mais concisa. É um formato que está crescendo cada vez mais também no mercado e de qual sou apaixonada, porque tem uma profundidade da história, mas tem uma duração. Novelas eu sempre amei, no meu portfólio tem muitas novelas, eu amo linguagem de novelas, eu amo ter uma história longa de meses para se contar. Mas o teatro também tem esse lugar artesanal, muito visceral, muito artístico, como cinema, que é lugar de arquitetura muito delicada e muito preciosa. Então, tudo é complementar. Não consigo escolher um só, são muitas vertentes, janelas e formas que temos para nos expressar artisticamente, que são muito agregadoras e complementares.

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A.V.M.: Qual personagem da sua carreira foi a que mais mexeu com você? Por quê?
M.P.: São mais de 32 anos a serviço de personagens, tenho grandes experiências, afinal comecei a trabalhar aos quatro anos. Mas Nelson Rodrigues realmente tem um texto que te revira pelo avesso, ele traz esse lugar muito visceral de um texto sempre muito intenso, então interpretar Guida de “A Serpente” foi um lugar que mexeu muito comigo, as minhas protagonistas na Record também, pela responsabilidade, por personagens grandiosos e intensos, que trouxeram muita versatilidade também ao longo da minha trajetória, eles sempre me tiraram da zona de conforto e me instigaram desde muito menina, muito jovem, porque personagens grandes normalmente tem conflitos gigantes. A Joana de “Vidas Opostas” é muito lembrada pelas pessoas até hoje, “José do Egito”, em que interpretei a esposa do José, a Zenate, que era uma egípcia, sacerdotisa, que me conectou muito com a minha espiritualidade. Tem também “Cidade dos Homens” em que interpretei uma dependente química, a Maia e que me abriu muitos caminhos profissionalmente. Tem também o teatro, na peça “Leo e Bia”, onde fiz a protagonista e tive grandes apresentações junto com Oswaldo Montenegro. Ai, gente, até difícil escolher um. Sou muito grata!

A.V.M.: Hoje, você está à frente do Canal Like. Como surgiu a ideia para esse projeto?
M.P.: Esse projeto surgiu na época em que eu estava ainda na Record. Eu estava buscando novos campos e outras oportunidades artísticas, fechar o ciclo de uma forma muito bonita, que foi com Dancing Brasil, quando eu ganhei o primeiro reality show de dança que a Xuxa apresenta. Ali já existia os pilotos desse projeto, do Canal Like. É um projeto em que a gente ficou dois anos trabalhando com os donos do canal, que hoje são meus chefes. Foi muito precioso, um trabalho de artista empreendedor. Você não é remunerado por isso, você investe sua energia e muito estudo. Foram dois anos de muitos encontros semanais e quinzenais na casa do Marco Altberg, que hoje, é uma grande referência profissional para mim. Ele é diretor, produtor, um realizador fantástico e uma figura muito importante do nosso audiovisual nacional. Ele é presidente da Brasil Audiovisual Independente (BRAVI). E, claro, as mulheres que também chefiam, que cuidam dessa parte também de programação do canal. Então, a gente fez muitos pilotos, deu certo, vendemos e eu não fiquei, graças a Deus, nenhum dia desempregada. São dois anos, 24 horas dando dicas, o nosso canal do YouTube também está crescendo (@canallikeoficial, canal 530 da NET e Claro TV).

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A.V.M.: Você se redescobriu como apresentadora? Como foi esse processo?
M.P.: Eu fui apresentadora infantil na época da Rede Globo, eu fiquei cinco anos na Rede Globo quando eu era mais nova, dos 17 aos 22 anos. Durante dois anos eu apresentei a TV Globinho, eram cinco apresentadores e dávamos dicas de desenho animado para a garotada e na sequência entrava o programa da Xuxa. Era muito legal, era o máximo, ali eu percebi que eu tinha o dom da comunicação que eu utilizo até hoje também nas minhas redes pessoais e no meu canal do YouTube, que está crescendo e gerando conteúdo também pra me aproximar do público. A capacidade da nos comunicarmos e acessar o coração das pessoas e, principalmente, inspirar outra pessoa com uma dica legal, um conteúdo relevante, não tem preço.

A.V.M.: De todas as entrevistas que você já fez para o canal, qual foi a que mais te marcou?
M.P.: Difícil, são tantas pessoas legais, cineastas, atores, atrizes, produtores, realizadores. Mas uma das conversas que eu achei muito instigante foi com a diretora Carla Camurati, que depois da extinção da Embrafilme, determinada pelo Programa Nacional de Desestatização de Fernando Collor, trouxe o filme “Carlota Joaquina”, que foi um dos filmes da retomada no cinema nacional nos anos 80, quando as políticas públicas voltaram a investir no nosso audiovisual. E ela é uma mulher que naquela época abriu caminhos com um filme que é sensacional e tem Marieta Severo como protagonista. E, claro, tantas outras produções dela que me inspiram muito. Mas muitas outras mulheres, homens, atores, atrizes com eu que eu amo conversar, com todos eu aprendo.

A.V.M.: Além de toda a carreira como atriz, apresentadora, agora você também está à frente da Essência da Bocaina. Como começou a sua relação com os óleos essenciais?
M.P.: A minha relação começou com a minha mãe. Como eu ganhei o prêmio do Dancing Brasil era uma forma de investir nos nossos sonhos pessoais e eu sempre quis deixar um legado para minha filha, dar um apoio aos negócios da minha família. Nós temos essa fazenda há mais de 25 anos e minha mãe canalizou de que tínhamos que vender todos os bichos. Aí, percebemos que devíamos que nos reconectar e ter essa relação com as plantas medicinais e extrair esses óleos essenciais para fins medicinais, terapêuticos e cosméticos e uma forma de honrar a minha mãe, e de uma certa forma ajudá-la nesse desabrochar. Então, ela é a que lidera esse negócio, que é um bebezinho. A Essência de Bocaina há três anos que está em crescimento e meu pai colabora muito também. Então, foi uma forma de honrar minha família e pensar sempre em reinvenção, transformação. Eu descobri novos talentos e me formei em perfumaria, hoje eu sou perfumista junto com a minha mãe, estudando todo dia um pouquinho mais sobre o poder de cura através das nossas plantas.

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A.V.M.: Você se formou em perfumaria ancestral. Pode contar um pouco sobre esse processo?
M.P.: Olha, eu sou muito grata a minha mestra, que é a PHD Palmira Margarida. É muito interessante você identificar com o estudo de aromaterapia e perfumaria natural o quanto as plantas têm propriedades, características, potencialidades e, sim, elas têm um temperamento e características muito específicas, isso pra mim foi um resgate da minha ancestralidade, foi um resgate e aos meus saberes mais antigos. Quando você trabalha cheiros, você acessa o seu cérebro, a parte mais ancestral, visceral e animalesca, que é o instinto. É a mulher farejadora, uma mulher que é intuitiva, que é conectada com a sua intuição.

A.V.M.: Quais os diferenciais da Essência de Bocaina?
M.P.: O diferencial é que agora nós estamos conseguindo o selo orgânico. Nós temos uma diversidade de quinze plantas medicinais, uma cartela muito próspera de plantas nativas da Mata Atlântica, onde estamos tendo essa destilação dos oléos e dos hidrolatos e a investigação no poder de cura. Temos um trabalho muito precioso com agrônomos, pesquisadores, com químicos e botânicos que proporcionam laudos e pesquisas científicas através das nossas plantas. Além disso, é uma empresa liderada por mulheres. Tudo isso estimula o ser mulher, mãe, filha, liderando novos negócios, cuidando da sustentabilidade, priorizando essa economia circular, um mundo mais orgânico, mais natural, mais cuidadoso e precioso. Eu tenho muito orgulho da trajetória que estamos criando.

textos por
Carol Contri
fotos por
Lucas Henrique

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