Ana Ferreira e seu escritório de advocacia servem à comunidade há mais de uma década.
Especialista em direito imigratório, a advogada Ana Ferreira analisa as mudanças recentes nas leis americanas, alerta para erros comuns cometidos por brasileiros e explica como planejamento e informação correta podem fazer a diferença na busca pelo green card.
Para muitos brasileiros, viver nos Estados Unidos continua sendo um dos maiores sonhos de vida. No entanto, transformar esse objetivo em realidade exige muito mais do que vontade: o processo imigratório pode ser complexo, repleto de regras específicas e decisões que impactam profundamente o futuro de famílias inteiras.
Nos últimos anos, mudanças nas políticas migratórias e interpretações mais rigorosas das leis tornaram o cenário ainda mais desafiador para quem deseja conquistar residência legal no país. Ao mesmo tempo, a circulação de informações incompletas ou equivocadas acaba levando muitos imigrantes a cometer erros que podem comprometer processos importantes.
Para esclarecer os principais pontos desse universo, conversamos com a advogada Ana Ferreira, especialista em imigração e fundadora da Ferreira Law. Filha de imigrantes e criada nos Estados Unidos, ela construiu sua carreira orientando estrangeiros que buscam uma nova vida no país.
Nesta entrevista, Ana analisa as mudanças recentes nas leis imigratórias, comenta os erros mais comuns cometidos por brasileiros e explica por que planejamento, transparência e orientação profissional são fatores essenciais para quem deseja trilhar um caminho seguro rumo ao tão sonhado green card.
Alô Você Magazine: O cenário imigratório nos EUA mudou muito nos últimos anos. Quais são as principais mudanças que mais impactaram brasileiros recentemente?
Ana Ferreira: Uma das mudanças que mais impactaram a comunidade brasileira nos últimos anos está relacionada ao visto para jovens que foram abandonados pelos pais. Antes, esses casos não tinham uma lista de espera tão longa e o processo podia avançar em cerca de seis meses. Hoje, porém, existe uma fila significativa, e o tempo de espera se tornou muito maior.
Outra mudança importante aconteceu no último ano em relação aos pedidos de asilo. Esse tipo de aplicação sempre foi difícil, mas atualmente está ainda mais rigoroso. Tornou-se muito mais complicado se encaixar exatamente nos critérios exigidos pela lei, o que tem afetado muitos imigrantes, incluindo brasileiros.

A.V.M.: O que pode comprometer um processo de green card sem que a pessoa perceba?
A.F.: Um dos fatores que podem comprometer um processo de green card é ter qualquer tipo de antecedente criminal. Antes, a imigração analisava principalmente casos mais graves, especialmente relacionados à violência. Hoje, porém, as autoridades passaram a avaliar praticamente qualquer contato criminal, mesmo situações consideradas menores.
Outro ponto que passou a ser muito observado é a questão dos impostos. Promotores e juízes querem saber se a pessoa paga seus impostos corretamente e se está em dia com suas obrigações fiscais. Ter os impostos organizados e pagos pode fazer uma grande diferença na análise de um caso.
A.V.M.: Como você lida com a responsabilidade de orientar decisões que impactam completamente a vida de uma família?
A.F.: Eu acredito que a coisa mais importante é dar todas as informações possíveis e ser 100% honesta com a pessoa. As decisões relacionadas à imigração podem mudar completamente a vida de uma família, então é fundamental que o cliente tenha clareza sobre todas as possibilidades e riscos.
Cada caso é único e depende de muitos fatores, como a situação da família e até a análise do juiz responsável. Por isso, acredito que a melhor forma de lidar com essa responsabilidade é sendo totalmente transparente e ajudando as pessoas a tomarem decisões conscientes.
A.V.M.: Existe hoje um perfil mais comum de brasileiro buscando imigração? O que mudou em relação a cinco anos atrás?
A.F.: Sim. Muitas pessoas que procuram ajuda hoje já tiveram algum contato com a imigração anteriormente. Algumas entraram nos Estados Unidos com visto e permaneceram no país, outras estão fora e buscam orientação sobre qual caminho seguir para regularizar a situação.
Também há muitas pessoas que já vivem nos EUA e querem entender quais são as possibilidades reais de obter um green card ou regularizar o status migratório. O que mudou é que hoje os brasileiros estão buscando mais informação e orientação especializada antes de tomar decisões.
A.V.M.: Qual é o erro que ainda te surpreende ver pessoas cometendo em 2026?
A.F.: Um dos erros mais comuns ainda é confiar em informações erradas ou em pessoas que não são advogados especializados. Muitas vezes esses “consultores” ou “notários” apenas preenchem formulários, mas não assumem responsabilidade legal pelo processo.
Quando algo dá errado, quem acaba prejudicado é o próprio imigrante. Por isso é fundamental buscar orientação de profissionais qualificados e entender exatamente quais são os riscos e as possibilidades de cada caso.
A.V.M.: Se você pudesse dar apenas um conselho essencial para quem sonha com o green card, qual seria?
A.F.: O principal conselho é buscar informação correta e orientação profissional antes de tomar qualquer decisão. Pequenos detalhes podem mudar completamente o resultado de um processo. Ter um planejamento adequado e agir com transparência desde o início faz toda a diferença para quem deseja construir uma vida legalmente nos Estados Unidos.
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Fotos: Lucas Queiroz